O hilário Slapstick, de Vonnegut, e a Psicanálise
Talvez "Slapstick" (aqui no Brasil "Pastelão ou sozinho nunca mais) seja o livro que mais gosto de Kurt Vonnegut. Muitos o consideram o pior. Para mim, a ironia boba, a delicadeza e o absurdismo fazem a genialidade desse livro. A premissa é distópica, típica de Vonnegut. O livro é narrado por Wilbur Daffodil-11 Swain, o último presidente dos Estados Unidos, que vive no Empire State em ruínas em um futuro pós-apocalíptico. Ele conta a história da sua vida, centrada no seu relacionamento com a sua irmã gêmea, Eliza. A tese central do livro é que a solidão é uma praga moderna. Wilbur propõe uma solução absurda: atribuir a cada cidadão um sobrenome novo e aleatório. Pessoas com o mesmo sobrenome seriam "irmãos" ou "primos" artificiais, criando uma rede de família obrigatória para combater a solidão. Quando crianças, Wilbur e Eliza são considerados deficientes ("retarded") quando separados. No entanto, quando estão juntos formam uma mente genial,...