Filmes de terror são nocivos para a psique?
Filmes de terror atuam como uma espécie de "laboratório seguro" para nossas emoções mais primitivas. Os efeitos são complexos, com malefícios e benefícios entrelaçados.
A Psicanálise vê o horror como uma expressão do nosso inconsciente e das pulsões, especialmente a pulsão de morte - Thanatos.
No horror, assistimos a medos profundos sendo externalizados e, muitas vezes, resolvidos na narrativa. Isso permite liberarmos ansiedades e tensões internas de forma catártica e segura, transformando nossas pulsões agressivas ou destrutivas em uma experiência socialmente aceitável.
Da mesma forma, ao nos identificarmos com o protagonista que sobrevive a terríveis provações, nós fortalecemos simbolicamente nosso ego - parte da psique que lida com a realidade. A mensagem é: "Se ele/ela conseguiu superar isso, eu posso superar meus problemas".
Filmes de terror frequentemente lidam com temas recalcados (reprimidos) pela sociedade e pelo indivíduo: sexualidade, violência primal, medo da aniquilação, etc. Eles trazem tudo isso à tona para podermos experenciá-los sem culpa.
Mas também existem malefícios psíquicos para algumas pessoas, como a retraumatização, a sensação de angústia excessiva, perturbação do sono e a banalização da violência, em alguns filmes. Para pessoas sensíveis, o horror pode gerar ansiedade.
A Perspectiva da Neurociência
Assistir a um filme de terror é uma busca voluntária por emoção. O corpo libera adrenalina (aumenta o batimento cardíaco, a respiração), cortisol e, finalmente, a dopamina. A dopamina está associada à recompensa e ao prazer. A combinação da descarga adrenalínica com a subsequente liberação de dopamina quando a ameaça desaparece (o filme acaba, o vilão é derrotado) cria uma sensação de excitação e alívio muito prazerosa. É um rush similar ao de uma montanha-russa.
Durante estas descargas hormonais, o cérebro aprende a regular emoções intensas em um ambiente seguro. O córtex pré-frontal (centro do raciocínio) conversa com a amígdala (centro do medo), dizendo: "Calma, isto é ficção, você está seguro". Esse exercício de regulação emocional pode, em teoria, ser transferido para situações de estresse na vida real.
Mas há malefícios neurológicos:
Em pessoas mais ansiosas ou com predisposição a transtornos de ansiedade, o filme pode causar uma ativação exagerada e prolongada da amígdala. Ao invés do córtex pré-frontal acalmá-la, ele "desliga", e a sensação de medo e perigo persiste mesmo após o filme, podendo levar a ataques de pânico e insônia.
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Não existe uma resposta única. Os efeitos são um equilíbrio entre:
- Assistir ocasionalmente é muito diferente de uma maratona constante.
- Assistir sozinho vs. com amigos rindo e comentando.
- Sua história pessoal, predisposição à ansiedade, resiliência emocional e idade.
Para a maioria das pessoas, os benefícios superam os malefícios, funcionando como uma vacina psicológica. Para outras, o risco de retraumatização é real.
Sinta-se. Se você sai do filme se sentindo excitado, é benéfico. Se fica perturbado, desconfortável, seu cérebro e psique estão dizendo que aquilo não é bom para você. É bom ouvi-los.
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