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Mostrando postagens de outubro, 2025

O sabá de Samhain e a Psicanálise

Sou Bruxa de raízes eslavas - russa. No entanto, no dia de hoje, fala-se muito no sabbat Celta Samhain, que popularizou-se a partir da intervenção da igreja católica como Dia das Bruxas.  A conexão entre Samhain e a Psicanálise é profunda, pois ambos lidam com os temas fundamentais da condição humana: a morte, a sombra, a memória e o que está além do nosso controle consciente. No folclore celta, Samhain é um momento liminar, onde o véu entre os mundos (dos vivos e dos mortos) se torna fino. É um período perigoso, onde ordem normal é suspensa, e entidades, espíritos e forças ancestrais podem atravessar para o nosso mundo. Na Psicanálise, Freud falou sobre o recalcado, que são desejos e lembranças inaceitáveis para o nosso "eu" consciente, empurrados para o inconsciente. No entanto, o recalcado sempre retorna em sonhos, atos falhos, chistes e, principalmente, nos sintomas neuróticos. Samhain pode ser visto como uma metáfora cultural para o retorno do recalcado. Assim como os es...

O filme Psicose e a Psicanálise

O filmaço "Psicose" (1960) de Hitchcock é um estudo sobre as consequências catastróficas quando o Complexo de Édipo não é superado e os mecanismos de defesa do Ego falham terrivelmente. A Psiquiatria dá o diagnóstico, enquanto a Psicanálise nos traz a narrativa profunda do sofrimento psíquico que levou àquela condição. Sob a perspectiva psiquiátrica moderna, Norman Bates apresentaria Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), popularmente conhecido como "Personalidade Múltipla". Vamos destrinchar os sintomas de Bates: - Dissociação e Identidade Fragmentada A mãe como identidade alternada: Norman não apenas ouve vozes ou tem impulsos; ele se torna a "mãe". Ele adota sua voz, sua postura, sua maneira de falar e até sua visão de mundo misógina e possessiva. Esta é uma fuga extrema da sua própria identidade, que ele considera fraca. - Amnésia Dissociativa Após os crimes cometidos no estado de "mãe", Norman (como ele mesmo) não tem lembrança conscie...

Descolonizar a Psicanálise

O debate da contracolonizaçao ou descolonização está se tornando cada vez mais forte no Brasil. E é de grande importância estendê-lo à clínica psicanalítica. Descolonizar a psicanálise significa transformar a teoria e a prática psicanalítica para que ela deixe de reproduzir visões de mundo, preconceitos e estruturas de poder típicas do colonialismo europeu. É um movimento que busca tornar a psicanálise mais plural, inclusiva e relevante para realidades que foram historicamente marginalizados por ela. Crítica às origens eurocêntricas A psicanálise foi criada por Freud, um homem judeu, branco, vienense do final do século XIX. Sua teoria, portanto, está impregnada pelos valores da sociedade europeia da época, com visões específicas sobre sexualidade, família e gênero, e pela noção de um sujeito universal: o "paciente padrão" da psicanálise clássica é um indivíduo burguês, europeu e branco. Descolonizar é questionar: Será que o Complexo de Édipo, por exemplo, se manifesta da mesm...

A Importância dos lutos simbólicos

Luto não é só sobre a morte física de um ente querido. O "luto sem morte" refere-se ao processo de luto por perdas simbólicas. É o luto por tudo aquilo que "morreu" simbolicamente em nossa vida, mas que não envolve o falecimento de uma pessoa. Em essência, é o trabalho psíquico necessário para lidar com qualquer fim, separação ou mudança significativa que cause um vazio, uma ferida narcísica ou a desconstrução de uma identidade. São perdas que exigem um processo de luto porque representam a "morte" de uma parte de nós, de um projeto, de uma ilusão ou de um modo de existir. Exemplos comuns: · Fim de um relacionamento: O luto não é apenas pela pessoa, mas pelo projeto de vida compartilhado, pela identidade de casal, pelas expectativas e sonhos. · Mudanças de fase da vida: A saída da adolescência para a vida adulta, a menopausa, a aposentadoria. Morre uma forma de ser para dar lugar a outra. · Perda de um emprego ou carreira: Morre uma identidade profissional...

Recordaçōes da Casa dos Mortos e a Psicanálise

"Recordações da Casa dos Mortos" é um romance autobiográfico de Fiódor Dostoiévski, publicado em 1862. A obra é baseada na experiência do autor, que foi condenado à morte por participar do Círculo Petrashevski, um grupo de discussão intelectual e ativismo socialista. Sua pena foi mudada no último momento para quatro anos de trabalhos forçados em um campo de prisioneiros na Sibéria. O livro é um retrato etnográfico e psicológico da proximidade com a morte e a vida neste presídio. O protagonista, Aleksandr Petróvich Goriántchikov, é um nobre que é enviado para a prisão e precisa se adaptar a um mundo completamente novo, habitado por camponeses, assassinos, ladtōes e prisioneiros políticos, unidos pela punição. Os temas centrais do livro são a exploração psicológica do que significa ser privado da própria liberdade e como nós nos comportamos quando submetidos à extremos emocionais. É uma reflexão profunda sobre a justiça, a culpa e a possibilidade - ou impossibilidade - de regen...