Perfil de quem comete violência contra animais
Estou, desde ontem, consternada com a notícia do cavalo que teve suas patas decepadas.
Atuo pela causa animal há 8 anos e não deixo, nem um dia sequer, de sofrer quando me deparo com alguma notícia de maus tratos, violência ou abandono. E existem momentos, como este, que fico sem chão.
O que pensar do homem que cometem tal atrocidade?
A crueldade contra animais não é um ato isolado; é um forte indicador de problemas psicológicos profundos e um preditor de comportamento violento também contra pessoas.
O perfil psicológico de quem comete crimes contra animais é complexo, mas podemos identificar padrões e motivações comuns. Existe uma pesquisa sobre comportamentos na infância, conhecida como "Tríade Macdonald", que descreve potenciais indicadores d violência futura:
1. Crueldade contra animais
2. Piromania (fascínio por e comportamento de atear fogo)
3. Enurese (xixi na cama) persistente na infância.
Este estudo mostra a importância de estarmos atentos e investigarmos tais recorrências de comportamentos e, da mesma forma, incentivarmos leis que tracem este elo entre aqueles que abusam de animais e a potencialidade para crimes posteriores.
Podemos indicar algumas possíveis motivações para a crueldade contra animais.
Abuso como treino
São indivíduos que usam animais como "ensaio" para atos de violência contra pessoas. Eles praticam o controle, o domínio e a inflição de dor num ser vulnerável para se prepararem para fazer o mesmo com pessoas. É sobre controle, poder e prazer sádico.
Abuso para intimidação
Infelizmente, este é um padrão extremamente comum. O agressor/a maltrata ou mata o animal de estimação da família para aterrorizar, controlar e punir a parceira/o ou os filhos. A vítima fica traumatizada e muitas vezes não denuncia por medo de represálias contra o animal ou contra si mesma.
Abuso por negligência
Não é um perfil violento, mas de pessoas com baixa inteligência emocional, imaturidade ou problemas de saúde mental, como depressão ou acumulação compulsiva. O animal sofre por falta de alimento, água, cuidados ou vive em condições de higiene deploráveis. A motivação não é a crueldade ativa, mas a omissão e a incapacidade de prover cuidados. No entanto, é crime.
Abuso por pressão social:
Sim, isso acontece. Indivíduos (geralmente jovens) que cometem atos de crueldade para se integrarem num grupo ou para impressionar os amigos.
Não é necessariamente uma patologia individual, mas um sintoma de conformidade social patológica ou não. A motivação é a aceitação social.
Abuso como deslocamento de raiva
Extremamente comum, especialmente em crianças. Uma pessoa que está frustrada, com raiva ou traumatizada (por exemplo, por maus-tratos que sofreu) e descarrega essa raiva no alvo mais fácil e vulnerável: um animal. O indivíduo não consegue lidar com as suas emoções de forma saudável e comete violência como uma válvula de escape disfuncional.
Abuso por sadismo
Este é um dos perfis mais perturbadores. O indivíduo sente prazer sexual ou excitação intensa ao infligir sofrimento. A crueldade é metódica, repetitiva e o sofrimento do animal é o objectivo final, não apenas um meio para outro fim. Está fortemente associado a transtornos de personalidade antissocial e parafilias.
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O que pensar da motivação de tal homem? Eu não li os pormenores da notícia, mas uma coisa é certa: não há empatia - a capacidade de compreender ou sentir a dor e o sofrimento de outros seres.
Se ele apresenta algum transtorno de personalidade antissocial, como sociopatia, somente uma avaliação psicológica responderia. Mas sabemos que isso não vai acontecer. Sabemos, inclusive, que ele também não será preso. O que podemos fazer é reunirmos nossas forças para continuarmos a luta pelos direitos dos animais no Brasil.
Mas, mais do que isso. Conscientizar a humanidade da sensciência animal, de que eles sentem como nós: medo, solidão, tristeza, alegria, tudo. São inteligentes e sofisticados emocionalmente. São família e, para muitos de nós, a única família que temos.
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