"Hallelujah" de Leonard Cohen e a Psicanálise

Leonard Cohen é uma de minhas grandes inspiraçōes nesta vida. Sempre o considerei muito mais do que um músico e poeta, mas uma daquelas almas raras que nos ensinam a amar, a ver a beleza do mundo e a sofrer do jeito certo. Um mestre errante.

Hallelujah, uma das músicas mais mal interpretadas da história (rs) é riquíssima em simbolismos, o que permite uma leitura psicanalítica. CEla captura a essência do conflito humano entre o divino e o terreno, o prazer e a dor, a completude e a falta — temas caros à psicanálise. Pode ser lida como um lamento pela impossibilidade do amor perfeito e, ao mesmo tempo, uma celebração dessa mesma imperfeição, numa espécie de sublimação poética do desejo.

Tracemos algumas conexões com a Psicanalise:

O desejo e a falta 

A música fala de um amor ambíguo, tanto divino quanto humano, marcado pela perda e pela imperfeição ("Love is not a victory march, it's a cold and it's a broken Hallelujah"). Podemos refletir que o desejo é sempre insatisfeito, movido por uma falta primordial. O "Hallelujah" quebrado pode simbolizar a aceitação dessa falta, a impossibilidade de completude no amor e na fé.

Sublimação 

Cohen transforma a dor e a sexualidade em arte. A letra mistura referências bíblicas com uma narrativa pessoal de prazer e sofrimento. Para Freud, a sublimação é o processo de redirecionar pulsões (especialmente as sexuais) para algo socialmente valorizado, como a arte ou a religiosidade. O "Hallelujah" seria, então, uma sublimação do erótico e do sagrado.

Culpa e a repetição 

A música menciona "the holy or the broken Hallelujah", sugerindo uma oscilação entre pureza e pecado. Isso remete ao livro Mal-estar na Civilização de Freud, onde o sujeito vive em conflito entre seus desejos e as normas sociais, gerando culpa. 

Para leitura:

I'm your Man - Leonard Cohen: Uma Biografia. Sylvie Simmons. 2013.

Mar-estar na Civilização. Sigmund Freud. 1930.

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